VAZIO
Como pássaro arredio Fugiu de mim uma inspiração Me aproximei, afaguei, dei um pio Mas em vão Ficou apenas um vazio Com o qual nada preenchi A vida é como um rio Eu pensando e ele ali Pois então, douto poeta Não me vais alimentar? Como todo vazio esteta Palavras amo devorar Olhe bem, caro vazio A danada inspiração Me deixou a ver navio Te negou alimentação Não te apresses, fique frio Quem espera sempre alcança Enquanto isso, eu espio Distraída, ela avança Esquecida por completo Que por aqui já estivera Eu a agarro firme e reto Tal qual uma besta-fera Dominada, ela aquiesce E no ato se transforma Na palavra que embevece E o poema toma forma
Escrito por Cláudia Banegas às 15h44
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O sagrado, santo e insano Amor com o qual te amo Te coloca em um altar Mas meu coração profano Obcecado, obsceno, mundano Busca ainda se aventurar Entre o céu e o inferno Da primavera ao inverno Busco recomeçar Assassino pensamentos castos Diante de um terreno vasto Derrubo teu pedestal Venha teu amor me envolver Torne-me tua, me dê prazer Livre-me de todo o mal
Escrito por Cláudia Banegas às 22h42
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Desencontro
Teu olhar me alucina Alucinada, nada vejo Tua força me enfraquece Enfraquecida, te desejo Tua beleza desnorteia Desnorteada, fico feia Teu sorriso me desdenha Despeitada, cerro o cenho Tua voz me arrepia Arrepiada, quedo muda Teu calor me gela a espinha E gelada, fico fria Tão mal equacionado Nosso amor que não é um Fração desenfreada Sem denominador comum
Escrito por Cláudia Banegas às 23h16
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Mestre da Poesia
Mestre de minha poesia Tal qual um camaleão
Me camuflo todo dia E ainda sou eu, sim, por que não?
Seja noite ou seja dia É o mesmo meu ardor
Minha alma sente alegria Expressando meu amor
Amor, coisa esquisita
Sendo emoção bonita
Quer logo rimar com dor
Se na palavra é transcrita
Mas para o deleite do poeta
E sorte de seu leitor
Amor, obra completa
Também rima com torpor
Sou intensa, impulsiva Vulcão em erupção Lava insistente, lasciva
Sim, por que não?
Escrito por Cláudia Banegas às 00h22
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